Como é fazer pesquisa em Dresden, Alemanha?
Como pouca gente sabe, a profissão pesquisador/cientista não é nada fácil devido à desvalorização econômica e moral do nosso trabalho.
No entanto, há lugares em que é possível ser feliz e ter reconhecimento como profissional. Atualmente, Dresden é um dos pólos científicos da Alemanha que mais crescem nas mais diversas áreas. Esse, foi um dos motivos que favoreceu nossa decisão de nos mudarmos para cá.
Como sempre, nada é tão fácil como parece. Quem trabalha no nosso meio sabe que conseguir uma posição em uma universidade em outro país demanda muito esforço.
As posições abertas em universidades/laboratórios/institutos normalmente ficam expostas em plataformas online específicas em que você pode procurar pela sua área ou também por localidade (exemplo: Nature Jobs). No nosso caso, procuramos pela área de estudo. Como todo emprego, existe um processo seletivo e, muitas vezes, demora cerca de 6 meses para surgir uma primeira resposta.
Esse processo seletivo envolve algumas etapas como: envio de currículo, entrevistas/aulas e muita espera. Ter um bom currículo é crucial mas, é importante também ter feito um bom trabalho em lugares anteriores, ter ótimas referências pode favorecer e muito seu "ranking" dentro da competição. Por esse motivo, é interessante considerar um mestrado, doutorado e/ou pós-doc em um grupo de pesquisa que lhe dê essa oportunidade de conhecer pessoas relevantes em sua área. Fazer seu "nome" dentro da carreira científica é de extrema importância, é subir um degrau por dia, por mês ou, até mesmo, por ano.
Enfim, introduzimos de uma forma geral como funciona o processo como um todo não só na Alemanha mas, também outros lugares como Dinamarca e Estados Unidos (lugares em que tivemos oportunidade de morar e obter sucesso nessa caminhada). Cada um desses lugares podem ter suas singularidades mas, no geral, respeitam as etapas citadas anteriormente.
Importante frisar que em nosso meio poucos contratos são permanentes seja na Europa ou Estados Unidos. Já é difícil explicar isso para alguém da área no Brasil que se torna quase impossível para alguém de fora da área. Geralmente são de 2-3 anos e podem ser renovados, ou não, dependendo do interesse do empregador e empregado. Contratos permanentes são possíveis para pesquisadores com longos anos de experiência na área. Você pode sonhar com esses contratos mas é preciso ter paciência e persistência e entender que há um longo caminho a ser percorrido.
Imaginem um professor horista no Brasil... Este trabalha a cada 6 meses basicamente com um contrato diferente. A cada semestre seu contrato muda e seu salário muda dependendo de quantas horas são oferecidas.
O mesmo acontece em um desses contratos temporários, com a diferença que seu salário é fixo durante 2-3 anos e sempre tende a aumentar a cada contrato.
Na Alemanha, um pesquisador normalmente trabalha 39 horas/semanais (estipulado no contrato de trabalho). Mas quem é do meio sabe que essas horas são facilmente ultrapassadas e aqui esse tempo também não é respeitado. Normal...afinal, a maioria dos experimentos não podem ser interrompidos.
Nós, particularmente, lidamos muito bem com isso pois somos extremamente recompensados com 40 dias de férias (não contam feriados ou finais de semana). Dependendo do contrato, as férias ainda podem ser acumuladas. Não é maravilhoso? Aqui não existe décimo terceiro e o desconto total é em torno de 40% do salário bruto, mas vc é recompensado com segurança nas ruas, transporte público de qualidade, plano de saúde incluso nesse valor e muito mais.
Além disso, é importante falar sobre a estrutura fantástica dos laboratórios. Aqui em Dresden tivemos a experiência de entrar em alguns e não tivemos nenhuma reclamação. Afinal, tanto o governo quanto empresas investem muito dinheiro em pesquisas de ponta o que garante uma qualidade física de trabalho excepcional.
Fica aí a dica para quem sonha em ser mais valorizado e ainda ter mais qualidade de vida ou, ainda, ter a experiência de morar em outro país!!!


Comentários
Postar um comentário