Post 1: As escolas cervejeiras na Alemanha, Bélgica e Dinamarca

Post 1: A escola cervejeira na Alemanha

No Brasil, é fato que os diferentes estilos de cerveja estão se tornando cada vez mais populares. Diferentemente, pela Europa, como diferentes regiões possuem tradições muito fortes em relação às características das cervejas mais consumidas, os amantes da bebida sempre tiveram acesso aos mais variados estilos.

Nessa sequência de posts vamos tentar falar um pouco sobre três escolas cervejeiras européias que tivemos o prazer de ter bastante contato ao longo dos anos: as escolas alemã, belga e dinamarquesa.

Bom, decidimos começar com um post sobre a escola alemã, talvez a mais famosa entre os brasileiros.

O mundo sabe o quanto os alemães são cuidadosos em relação aos ingredientes utilizados na fabricação da bebida. Não por acaso, existe desde 1516 a "Reinheitsgebot", ou lei de pureza alemã. Essa lei sofreu adaptações ao longo do tempo, mas de um modo geral, ela institui que as cervejas no país devem ser produzidas somente com água, malte de cevada, lúpulo e levedura.

A escola cervejeira na Alemanha


Ou seja (1), nada de milho e outros cereais não maltados, que muitas vezes são atribuídos a gostos ruins nas cervejas brasileiras (muitas vezes essa relação é bem errada, mas esse é assunto para outro post). Ou seja (2), as aclamadas "cervejas puro malte" que temos no Brasil, nada mais são do que uma obrigatoriedade na Alemanha.

A lei de pureza é bastante rígida sobretudo para as cervejas mais leves (ou cervejas de baixa fermentação), que são por sinal as mais consumidas no país. Dentre estas cervejas leves os estilos mais famosos são as Pilsners, estilo muito consumido no Brasil e as Weizenbiers, ou "cervejas de trigo".

Após a segunda guerra mundial, a lei de pureza foi flexibilizada para a produção de cervejas de alta fermentação, as ales, o que tem favorecido bastante o mercado de cervejas artesanais alemão nos últimos anos.

Porém, ainda que a onda de cervejas artesanais de diferentes estilos esteja crescendo na Alemanha (assim como no Brasil), nos bares mais populares do país, os chamados biergartens, existem tradicionalmente somente opções de Pilsners e Weizenbiers (principalmente em cidades menores, como é o caso de Dresden).

A escola cervejeira na Alemanha

Quanto às Pilsners, elas costumam ter amargor mais pronunciado do que as brasileiras além de paladar bastante limpo. Normalmente são servidas em canecas de 500mL e em temperaturas não tão baixas, para que todos os sabores da cerveja possam ser percebidos. Portanto, nada de cerveja "trincando" por aqui. Já as Weizenbiers, são mais "cremosas" do que a maioria que encontramos no Brasil e com as notas de cravo e banana muito bem equilibradas. São geralmente servidas em copos de 500mL.

Nos mercados é possível encontrar uma infinidade de variações dos estilos Pilsner e Weizen, além de um bom número de ales de cervejarias menores.

Em resumo, a escola alemã é uma escola que tem bastante influência sobre a escola brasileira em termos dos estilos mais consumidos. Com pouca variação de estilos, o rigor na fabricação pode ser considerado a principal característica dessa escola. 

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